Ética é a parte da moral que trata da moralidade dos atos humanos. Ética profissional é, portanto, “o conjunto de princípios que regem a conduta funcional de uma determinada profissão”. Consiste, segundo Ruy de Azevedo Sodré, na aspiração de amoldar sua conduta, sua vida, aos princípios básicos dos valores culturais de sua missão, seus fins, em todas as esferas de suas atividades.

Preocupados com interesses de caráter econômico, alguns profissionais liberais têm colocado capacidade e reputação bem abaixo da ética, com desrespeito à moral e aos bons costumes. De algum tempo para cá, os princípios éticos se têm deteriorado entre homens que, cínica e vergonhosamente, não procedem de acordo com a dignidade da profissão, seja ela qual for.
Já não adianta que órgãos de classe das diversas profissões tenham seu próprio código de ética, pois o homem enxovalhou-se de tal maneira perante a sociedade, que pouco importa o que dele se pense ou o que se comente a respeito do seu caráter.
As novas versões não mais correspondem aos verdadeiros modelos. Consagração profissional, notável talento, elocução espirituosa, raramente se integram harmoniosamente no homem de hoje como marca da genialidade do profissional modelar, esteta padrão, capaz de proceder bem, mesmo num mundo hostil e de desvarios. Assim, alguns profissionais liberais dissolutos cometem erros, violam o seu código de ética e, quando acossados, apresentam o outro lado da estória, desculpando-se, mentindo, jurando inocência. Esse profissional é mais um produto de impunidade.
A impunidade sempre conivente com o feito escandaloso, faz com que eles continuem na opulência porque a insensibilidade da consciência não lhes parece moral. Os maus procedimentos vão se sucedendo dia após dia sem que os autores se conscientizem da própria declinação profissional a que estão sujeitos. O clamor social, especialmente dos mais fracos, tem ecoado contra essa conduta desairada de maus profissionais, e ai da sociedade, dos mais humildes se não existisse a imprensa que, com sua coragem, não deixa ficar ocultada a conduta dos artífices da falta de dignidade profissional.
Há necessidade de uma soma de consciência dos órgãos de classe para agirem com rigor diante dessa quebra de comportamento ético. São deficiências superáveis que, até mesmo depois de um exame pleno de consciência, poderia o próprio profissional renunciar ao indiferentismo, às ambições pessoais e às vaidades para, resignadamente, adotar a prudência, a tolerância e os inafastáveis princípios éticos profissionais, sem a preocupação de louvores ou censuras infamadoras.
Colunista Eliezer Santos direto do Paraná